Por Juliana Rainha de Carvalho
Televisão, rádio, jornais, revistas, sites etc. Uma variedade de mídias e um foco: caso do goleiro Bruno.
Aposto que, tanto quanto eu, o leitor deve estar craque quando o assunto são os últimos acontecimentos do provável assassinato de Eliza Samudio. Para saber mais sobre o tema nem é preciso se esforçar muito, é só acessar qualquer emissora, dar uma conferida nas manchetes que estampam as bancas de jornal ou fazer uma visitinha à web.
Digamos que a repercussão tem sido considerável. Realmente, o possível requinte de crueldade que envolve o fato é de deixar qualquer um indignado. Mas ver veículos de comunicação requentando matérias e as jogando na grade de programação já é demais.
Nesta semana, por exemplo, perdi as contas de quantas vezes vi a tal tatuagem que um dos possíveis envolvidos tinha nas costas reforçando a amizade com Bruno Fernandes. Vale lembrar que só ligo a televisão um pouco antes de sair de casa e brevemente quando chego do trabalho. Juro que tentei recorrer ao controle remoto, mas parecia que todas as emissoras resolveram falar sobre o mesmo tema.
São entrevistas, geralmente repetidas, com advogados, familiares, policiais, conhecidos, populares e por aí vai. Só faltaram entrevistar o rottweiler de um dos suspeitos. Sem contar que determinados apresentadores se valem do tema para dizerem que isso ou aquilo é um absurdo e assim “cozinham” o tema por horas a fio, fazendo aquele sensacionalismo barato.
Repito que entendo a gravidade de tudo que teria ocorrido e fico extremamente preocupada por imaginar até onde vai a maldade do ser humano. No entanto, sou obrigada a questionar: isso seria falta de pauta, comodismo por parte dos pauteiros ou, de fato, as pessoas gostam tanto assim de saber da desgraça alheia?
Só sei que, independente do caso Bruno ou de qualquer outro, o nosso dia a dia continua. Para selecionar os assuntos que interessam a cada segmento de público sem subestimá-lo, basta um pouco de criatividade, iniciativa e tino jornalístico. Vocês não acham? Esse é um desabafo não de uma profissional da área, mas de uma comum leitora, telespectadora e ouvinte.
Juliana Rainha de Carvalho é consultora de Redação e Jornalismo da Simbiose Brasil.
sexta-feira, 16 de julho de 2010
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