Fonte foto: site Terra
Apesar de o jogo entre Uruguai e Gana ter acontecido há alguns dias, gostaria de retomar o assunto, mas de uma forma um pouco mais ampla e delicada.
Quem acompanhou a Copa do Mundo, com certeza, não consegue esquecer a atitude do jogador uruguaio, Luis Suárez. O mesmo tirou a bola com a mão de dentro do gol, no último minuto do segundo tempo da prorrogação. O time de Gana teve o pênalti a seu favor (que devemos lembrar que não é garantia de gol), mas não converteu e perdeu, também nos pênaltis, a oportunidade de seguir para a semifinal. Sendo assim, o Uruguai avançou e Suárez se tornou o salvador...
Bem, para os uruguaios isso é uma verdade. Eu confesso que torcia fervorosamente para a celeste e fiquei muito feliz com o resultado. Mas e os africanos? E o time de Gana? Aquela bola que o Suárez tirou com a mão só tinha um caminho: a rede adversária. Ele não fez uma falta dentro da área para impedir o chute. Ele simplesmente tirou, como seu último recurso, a Jabulani de dentro do gol. E a felicidade de um virou o inferno do outro.
Por que estou levantando este assunto? Porque isso é mais comum do que parece, seja na vida pessoal, no esporte ou no meio corporativo. Muitos tiram a bola com a mão para se favorecer. Muitos agem de forma antiesportiva e antiética com um motivo que julgam ser para o melhor. Neste caso, alguns devem pensar: “mas o Suárez estava defendendo uma nação...era um recurso que as regras do jogo permitem...ele foi punido com a expulsão”. Como se todas essas justificativas apagassem o que foi feito.
E quantas vezes vemos isso acontecer no nosso trabalho ou na nossa família? Pessoas que prejudicam outras em prol de algo que vai beneficiá-la. Pode até ajudar outras pessoas também (como os 3 milhões de uruguaios beneficiados). Mas até que ponto vale à pena agir contra alguns preceitos básicos de civilidade em busca do sucesso? Será que é tão difícil conseguir se dar bem sem ter atitudes como essa do Suárez? Se ele não tivesse se esforçado um pouco mais e feito um gol, precisaria colocar a mão na bola?
Vamos levar esse pensamento para o nosso trabalho. Pense quantos Suárez existem perto de você. E acho que devemos refletir se para sermos heróis precisamos fazer com que outros chorem, com que outros percam. Não podemos alcançar o que almejamos ajudando os outros a crescerem também? Acho que é muito melhor e nem deve ser tão difícil assim.
Mariana Pereira é consultora de jornalismo e redação da Simbiose Brasil.

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